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A cultura cesarista no Brasil e sua opressão

Hoje temos um post de uma convidada especial, a doula Silvia Toledo do blog Amor de Doula. Vamos falar sobre a cultura cesarista que assola nosso país e aproveitar para refletirmos sobre o real motivo que nos faz ser o país líder em cesáreas. Aproveitem a leitura!

 

 

 

Olá meninas, o post de hoje é um convite à reflexão.

 

Um convite ao questionamento, a olhar para dentro de nós e encontrar a força que precisamos para romper com toda essa cultura cesarista brasileira.

 

Então vamos ao que interessa, porque será que o Brasil tem um índice tão alto de cesarianas? Segundo a OMS o índice chega a 84,6% na rede particular.

 

Essa não é uma pergunta tão simples de ser respondida e claro que faz parte de todo um contexto histórico da saúde em nosso pais, bem como se reflete na formação dos profissionais nas universidades e etc. Já sabemos que a cesárea é a preferida pela maioria dos profissionais, uma vez que os médicos conseguem programar as suas agendas e recebem mais por uma cesárea do que por um parto normal.

Pois bem, venhamos e convenhamos os médicos tem um papel importante e fundamental no dado estatístico que coloca o Brasil no ranking como campeão das cesáreas ao redor do mundo, mas por outro lado também não podemos nos esquecer da responsabilidade que cada uma de nós, mulheres brasileiras temos diante desse cenário, se informar é preciso, o tão falado empoderamento nos últimos anos é de extrema relevância nesse processo de transformação, mas há também algo muito mais subjetivo que gostaria de refletir com vocês.

 

Será que em nossas tentativas de controle não temos a falsa sensação de que a cesárea agendada é muito mais segura para mãe e bebê? Mesmo com todo respaldo de estudos que comprovam os benefícios do parto normal a maioria das mulheres escolhem a cesárea, ora por medo da dor, ora por medo do cordão, medo de “passar da hora”, medo do mecônio, de imprevistos que podem acontecer na hora do parto e por ai vai, a lista é enorme. Ué mas e na cesárea agendada ( uma cirurgia que corta 7 camadas da pele) não poderá ocorrer imprevistos e emergências? Claro que sim, porém tenho a impressão que muitas vezes é mais fácil transferir a responsabilidade pelo nascimento ao “dotô” do que abraçar essa responsabilidade, encarar os medos e romper com o sistema e com toda opressão que essa cultura cesarista gerou em cada uma de nós.

 

Sabemos que  dentro da maternidade existe uma palavra chave chamada CULPA, (que já dizia um ditado: nasceu uma mãe, nasceu a culpa) a qual as mães tem de aprender a driblar em cada erro cometido, então vamos nos perguntar: se algo não acontecer como esperado em um parto normal a culpa é da mulher que o escolheu? Já que no Brasil podemos escolher se queremos o parto normal ou a cesárea. E se algo na cesárea eletiva sair do controle ai a culpa é do médico? Penso que por diversas vezes em nossa cultura estamos inconscientemente buscando transferir a culpa e a responsabilidade por situações que podem acontecer dentro desse contexto chamado nascimento, quando na verdade tudo pode acontecer tanto em um parto normal, hospitalar, domiciliar ou em uma cesárea. Nos esquecemos que na vida se existe algo que não temos é o controle de nada, absolutamente nada e riscos estão por toda parte e nem sempre existem culpados pelas fatalidades que acontecem.

 

Parir no Brasil não é uma tarefa fácil de fato, já que podemos escolher uma cesárea tranquilamente, mas se escolhemos um parto normal somos chamadas de “corajosas”, quando escolhemos então um parto humanizado domiciliar somos chamadas de loucas. Temos então um grande desafio pela frente, o desafio de em primeiro lugar enfrentar a nós mesmas, os nossos medos, incertezas e inseguranças e em segundo lugar o desafio de “olhar nos olhos” da cultura e da sociedade brasileira e bancar a responsabilidade da escolha em parir. Então esse post é pra te dizer: vamos juntas nesse caminho e deixar a culpa pra trás, acreditar na criação, na natureza de nossos corpos, vamos juntas nos questionar, repensar, refletir e entender que em todo o processo da maternidade não há garantias ou controle em nossas mãos a começar pelo nascimento e que se estenderá em toda a jornada da vida dos nossos filhos.

 

Um beijo pra cada leitora.

 

Sil

 

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Silvia Toledo é doula formada pela ONG amigas do parto.

 

Atuou como voluntária no Amparo Maternal em São Paulo e atualmente participa do movimento da humanização no Brasil apoiando mulheres em suas escolhas quanto ao nascimento. 

 

Em seu blog conta alguns relatos dos partos que já acompanhou e escreve sobre diversos temas a fim de fortalecer a transformação que vem ocorrendo na cultura brasileira quanto ao parto.

http://amor-de-doula.blogspot.com.br/

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